Iniciativas apoiadas pela Cáritas no Piauí mostram a prática do Bem Viver

Institucional

Em campo, os agentes Cáritas conheceram as situações de vulnerabilidade social da região e as respostas trazidas a partir de ações solidária

Publicação: 22/11/2019

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Agentes Cáritas visitam o Assentamento 8 de Março, no Piauí - Foto: Arquivo Cáritas 


Por Comunicador@s Cáritas Brasileira

Os participantes da 24ª Assembleia Nacional da Cáritas Brasileira acordaram cedo na quinta-feira (21). Entre 6h30 e 7h30, seis grupos saíram do local de hospedagem rumo às comunidades acompanhadas pelo Secretariado Regional, pela Cáritas Arquidiocesana de Teresina e por parceiros na capital do Piauí.

Em cada lugar, o clima celebrativo de acolhida marcou a chegada dos agentes Cáritas, com momentos orantes e apresentações culturais. Em todo o período da manhã, foi possível conversar com as pessoas, perceber suas histórias de transformação de vidas, a partir do tripé que tem sido o mote desse encontro da instituição: Esperança, Resistência e Profecia. Ao todo, foram seis experiências que envolvem ações efetivas com crianças, adolescentes e jovens, economia solidária, produção agroecológica, beneficiamento de frutas etc.


Economia solidária e empoderamnto feminino

A experiência da Cooperativa Agroindustrial da Agricultura Familiar do Território entre Rios - Fruto Daqui é uma proposta de economia solidária que tem o apoio da Cáritas desde 2004, com capacitação, aquisição de equipamentos, intercâmbios de conhecimentos, reforma do espaço e compra de placas solares. Ao todo, são 65 famílias que trabalham na produção de polpa de frutas, sendo presente a força de trabalho das mulheres que vivem em 15 comunidades beneficiadas pelo projeto.

Para José Magalhães de Souza, ex-diretor da Cáritas, que participou das negociações com a Cáritas da Noruega, financiadora do projeto, ficou satisfeito de ver que, após 15 anos, o grupo cresceu e se manteve forte, porque “tínhamos que escolher apenas uma comunidade para o repasse dos recursos e hoje sabemos que escolhemos bem”. A agricultora familiar, Ana Paula Alves de Oliveira, 37 anos, e há nove anos no grupo, fala da independência e do empoderamento da mulher.  "Antes de trabalhar como cooperada, eu dependia em tudo do meu marido, hoje com minha renda sou mais feliz e, com o que ganho, ainda ajudo nas despesas da casa e compro coisas para mim e meus filhos", festejou.


Oportunidades e perspectivas de futuro

Os participantes que visitaram o Centro de Jovens Santa Cabrini, na Vila Irmã Dulce, passaram por uma imersão nos espaços de realização das oficinas e atividades recreativas, sendo recepcionados por jovens que fizeram uma apresentação cultural e são atendidos pelo Centro. Cerca de 150 jovens são atendidos diariamente com oficinas de música, arte, educação física, educação ambiental, sala de informática, e outras atividades.

"O Centro de Jovens tem impacto social muito importante na comunidade e na vida das pessoas que aqui passam, proporcionando oportunidades que muitos que moram aqui não teriam", comentou Francisca Moura, mais conhecida como Neguinha da Vila e que é matriarca de uma das famílias que foram beneficiadas pelo projeto.

 


Visita à Casa de Zabelê - Foto: Foto: Arquivo Cáritas 


Garantia de direitos e promoção da vida de crianças e adolescentes

Numa celebração marcada pela cultura nordestina, os participantes da Assembleia puderam, logo na chegada, rezar e, ao mesmo tempo, conhecer os rostos e os talentos de várias crianças e jovens que fazem parte das atividades da Casa de Zabelê, localizada na periferia de Teresina. No espaço, numa parceria entre a Ação Social Arquidiocesana de Teresina e a Prefeitura Municipal, são desenvolvidas, há 23 anos, iniciativas de promoção à infância, adolescência e juventudes, como recreação e dança no contraturno escolar e capacitações em serigrafia e em moda.

A jovem Sâmia Nascimento, hoje com 24 anos, começou a trajetória na Casa Zabelê quando ainda tinha oito. Ao longo desse período, passou pelas diversas atividades e chegou à oficina do curso de moda que a inspirou para a sua profissão atual. “Foi nesse lugar que eu ganhei a oportunidade de me expressar, onde eu me reconheci como cidadã, onde eu consegui entender meus direitos. Hoje, eu me tornei uma mulher forte, resistente, resiliente e uma pessoa humana”, destacou. 

O agente da Cáritas Diocesana de Crateús (CE), Adriano Leitão, ficou muito empolgado com o que viu ao longo da visita. “A gente fica com o coração ardendo ao deixar esse lugar, recordando-me da experiência dos discípulos de Emaús com Jesus Ressuscitado. Perceber um espaço social, organizado a partir da animação da Igreja, resgatando a dignidade e elevando a autoestima, é muito feliz quando tudo isso dialoga com a temática da Assembleia que estamos vivenciando”, disse. 


 Produtos do Assentamento 8 de Março, município de Teresina (PI) - Foto: Arquivo Cáritas 


Formação com a juventude e inserção socioeconômica

“Trabalhamos com vidas, geralmente, vidas vulneráveis e essa casa é um sinal de esperança na comunidade. Transformar vidas é nossa melhor receita”, contou Luciana Fontes ao grupo de participantes da Assembleia Nacional da Cáritas que visitou a Escola de Culinária Pimenta do Reino, na comunidade Dirceu II, em Teresina. Agente da Cáritas Arquidiocesana, Luciana é coordenadora pedagógica do projeto Juventude Empreendedora, que atua com a qualificação profissional de jovens de 18 a 29 anos para a inserção no mundo do trabalho, por meio de cursos gratuitos de culinária, alimentação para festas e organização de eventos. O projeto oferece uma cota de 12% de vagas para adultos e também promove cursos de jardinagem para pessoas em situação de rua.

“Qualificamos cidadãos, mas isso é uma desculpa, pois queremos plantar o cuidado com a Casa Comum”, explica Luciana. Para isso, o projeto incentiva a produção dos jovens alunos, a partir de um Fundo Rotativo Solidário. O Fundo é gerido por um comitê gestor composto por representantes de dispositivos sociais da comunidade, tais como Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), associação de Mulheres, de Moradores, além de instrutores das oficinas, alunos, representantes da rádio e da Cáritas. Com um limite máximo de R$2 mil, as parcelas e o prazo de devolução do recurso são acordados junto às pessoas que acessaram o Fundo. Luciana conta que a inadimplência é muito baixa e os empreendimentos que mais têm dado certo são os coletivos e familiares.

Em oito anos de projeto, a Escola de Culinária Pimenta do Reino já formou 900 jovens com 650 deles inseridos no mundo do trabalho. A partir da Escola, mais de 318 empreendimentos individuais foram criados, sendo 17 por meio do Fundo. O projeto tem parceria com 300 empresas e é certificado como tecnologia social pelo Banco do Brasil. Lidiane Braga faz o curso de organização de festas, área que ela já atua, mas sentia a necessidade de se qualificar. “Muitas amigas que fizeram os cursos da Pimenta do Reino falam que eles transformaram suas vidas e eu quero que ele transforme a minha também”, contou animada.


Agentes Cáritas em visita ao Centro de Juventude Santa Cabrini - Foto: Arquivo Cáritas 


Superação do sofrimento e luta por políticas públicas

Marcada por uma tragédia em 2017 com a morte da criança Eloá em um incêndio, a Ocupação 8 de março tem sido símbolo de resistência e, com o apoio do Secretariado Regional Piauí e da Cáritas Arquidiocesana de Teresina, tem lutado em favor de direitos fundamentais. É uma comunidade que hoje reúne 179 famílias assentadas, numa área que fica a 20 km do centro da capital, mas que não dispõe de acesso à água encanada, energia elétrica, saúde, educação e outras politicas públicas.

Recentemente, o assentamento ganhou um poço que, a partir da articulação da Cáritas Arquidiocesana de Teresina, foi construído com recursos doados pela Escola Rainha da Paz de São Paulo. Além de oferecer água para consumo humano, também mantem a irrigação da produção dos agricultores familiares.


Visita e convivência Assentamento Passagem Santo Antônio - Foto: Arquivo Cáritas 

Produção e cuidado com a Casa Comum

O sexto grupo de agentes Cáritas se dirigiu ao Assentamento Passagem Santo Antônio, em Nazária, a 35 km de distância da capital. Lá foi possível conhecer as histórias e saberes de pessoas que estão na área que tiram o próprio sustento e oferecem para outras tantas frutos da agricultura familiar.

Como sinal de resistência, percebeu-se que as 300 pessoas da comunidade se mantem firmes há 20 anos na área que ainda não passou pela regularização fundiária. Também, com o apoio da Cáritas, na perspectiva da partilha, também foi apresentada a ação do Fundo Rotativo Solidário.

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